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HORACIO XAVIER, POETA E POESIA

De cara lavada, algumas partes



De cara lavada

Tira o pano da cara.

Quero ver a cara nua

Amassada pelo ressentimento,

Chorando num lamento

A perda que foi só tua.

 

Tira o pano da cara.

Quero ver o coração aberto

Adoçado pela redescoberta

De um outro homem.

 

Tira o pano da cara.

Mostra tua cara limpa

Renovada, remoçada, reamada

Por outra e outra descoberta.

 

Tira o pano da cara.

E depois do pano,

Busca tua porção de amor

Na tua, só tua cara.

 

(Horacio Xavier - © Todos os direitos reservados - Cert. Registro No. 237926)



Escrito por Horacio Xavier às 20h45
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Choro acumulado

Solta o pranto

Que se esconde no coração

Sem deixar-se abater

Pelo seu próprio pranto.

 

Solta o pranto

Que te afoga e fere

Sem perder a paixão

No canto do seu encanto.

 

Solta o pranto

Que te maltrata o peito

Derrubando o muro

Que te interrompe o pranto.

 

Solta o pranto

Que te atormenta a alma

Desocupando o espaço

Pr’um outro amor dengoso.

 

(Horacio Xavier - © Todos os direitos reservados - Cert. Registro No. 237926)



Escrito por Horacio Xavier às 20h43
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Volta

E me vieste assim

Como se não houvesse nada

Como se eu não sentisse

A dor desta espada.

Como se não me marcaste

Vens trás-de-mim

Fazendo com que revigorasse

A ferida ainda em sangros.

E ainda assim te espero

Continuando a sentir

Aquilo que não mais quero

O pulo do coração a tinir.

E me feres

E me machucas

E cá estou eu

Beijando tua nuca.

                            Na cama

                                      Fumo

                                               E morro

                                                        De desejo.

 

(Horacio Xavier - © Todos os direitos reservados - Cert. Registro No. 237926)



Escrito por Horacio Xavier às 20h42
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Desencarne

Quando não mais ouvirem

Meu canto de amor

Tenham plena certeza

De que morri.

E sendo assim

Meu amor perdurará

Só, na eternidade.

E o que é a eternidade

Senão o ápice do amor?

 

(Horacio Xavier - © Todos os direitos reservados - Cert. Registro No. 237926)



Escrito por Horacio Xavier às 20h41
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Gelo

Olhe pra mim

De pé, a sua frente.

 

Olhe pra mim

Só, em meu lugar.

 

Olhe pra mim

Nu, no meu canto.

 

Olhe pra mim

Calmo, na sua casa.

 

Olhe pra mim

Triste, em sua fuga.

 

Olhe pra mim

Correndo pra você.

 

...não olhas pra mim.

 

(Horacio Xavier - © Todos os direitos reservados - Cert. Registro No. 237926)



Escrito por Horacio Xavier às 20h39
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Mal de amor

Não vou

Deixar

Que a

Minha falta

Seja

Tão sofrida

Quanto é

A sua falta.

 

(Todos os direitos reservados - Cert. Registro No. 237926)



Escrito por Horacio Xavier às 20h38
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Ansiedade

A ferida está aberta

No coração machucado

Que chora triste

Pela goela.

Sente-se perder a força

Onde antes

Estava escondida

A esperança

De ver-te

Novamente surgir,

Nos orgasmos

Do corpo quente.

Inalterada

Ansiedade

De ver-te.

 

(Todos os direitos reservados - Cert. Registro No. 237926)



Escrito por Horacio Xavier às 20h36
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Solitarismo

Estou só

E busco sua fantasia.

 

Estou só

E procuro seu corpo.

 

Estou só

E espero seu regresso.

 

Estou só

E quero seu amor.

 

É, estou só.

Masturbo-me.

 

(Todos os direitos reservados - Cert. Registro No. 237926)



Escrito por Horacio Xavier às 20h35
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Viagem

Some na garganta

O grito louco

Que te procura

Embevecido pela seiva deste amor.

Na cabeça

Há somente

As verdades da paixão

Que assustam os pensamentos ilusórios.

No corpo

Fica somente um arrepio

E um pênis ereto

Que renova um tesão

Há tempos esquecido.

 

(Todos os direitos reservados - Cert. Registro No. 237926)



Escrito por Horacio Xavier às 20h33
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Ilusionismo

Ele vem

Sem muito saber

E só muito falar.

Não sei

Se tinha coragem

Ou tinha desejo.

Sei que vai

Marcando passo

E se vai

Na linda aurora

Do meu sonho.

 

(Todos os direitos reservados - Cert. Registro No. 237926)



Escrito por Horacio Xavier às 20h25
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De costa

E assim foi-se.

Pelo mesmo caminho

Por onde vinha sorridente,

Não se vê mais sua silhueta.

 

E chorei.

Nos mesmos olhos

Onde olhavas a alma,

Não se vê mais a alma.

 

E então,

O corpo gemeu

A ausência de sua carne

Que incendiava meu prazer

A ferro e fogo.

 

(Todos os direitos reservados - Cert. Registro No. 237926)



Escrito por Horacio Xavier às 20h24
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Transa

Te olho,

No escuro do pranto

No canto do santo

Que pede pr’eu ficar.

 

Te beijo,

No espanto do manto

No tanto do encanto

Que jura eterno amor.

 

Te afago,

Na planta da rampa

Na tampa do pênis

Que acampa em meu corpo.

 

Te satisfaço,

Na voz que se agiganta

Na palma que te espalma

Que te penetra e se implanta.

 

Choramos após o enlace

Das pernas e dos braços

Das bocas e dos corpos

Dos olhos e das almas.

 

(Todos os direitos reservados - Cert. Registro No. 237926)



Escrito por Horacio Xavier às 20h22
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Radicalismo

Só quero você

Depois do sono

Além da morte

Na eternidade.

 

Só quero você

No espaço sideral

Sem ligar pro futuro

Na terra casta.

 

Só quero você

Na dor da solidão

Com grande coração

No deserto.

 

Só quero você

Depois do banho

Sem pudores

Na cama.

 

Só quero você

Após o amor

Pra fazer amor

No chão.

 

Só quero você...

 

(Todos os direitos reservados - Cert. Registro No. 237926)



Escrito por Horacio Xavier às 20h19
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Só amor

Tremem quadris

Na mais louca

Mais solta

Mais alucinante

Colação de pele.

 

Balançam cabeças

Na mais bonita

Mais aflita

Mais envolvente

Caminhada de mãos.

 

Sacolejam músculos

Na mais quente

Mais ardente

Mais prazerosa

Descida de língua.

 

Arrepiam corações

No mais livre

Mais lindo

Mais franco

Amor de homens.

 

(Todos os direitos reservados - Cert. Registro No. 237926)



Escrito por Horacio Xavier às 20h11
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